Por que cuidados paliativos não significam abandono? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Lars Edevik
Yuri Silva Portela

Cuidados paliativos ainda são associados, por algumas pessoas, à ideia de que não há mais nada a fazer quando uma doença se torna grave. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, expressa que essa abordagem tem outra finalidade: oferecer assistência para aliviar o sofrimento, controlar sintomas e preservar a qualidade de vida diante de condições que ameaçam ou limitam a vida. O cuidado acompanha o paciente de acordo com suas necessidades e pode continuar mesmo quando os objetivos ou as estratégias de tratamento da doença são modificados.

Saiba mais a seguir!

O que são, de fato, os cuidados paliativos? Confira com o Doutor Yuri Silva Portela

Cuidados paliativos são uma abordagem voltada a pessoas que enfrentam doenças graves, buscando atender necessidades físicas, emocionais, sociais e, quando apropriado, espirituais. O objetivo não é acelerar nem adiar a morte, mas reduzir sofrimento e proporcionar o melhor nível possível de qualidade de vida. A proposta considera a pessoa de maneira integral, levando em conta sintomas, preferências e necessidades que podem mudar ao longo da evolução da doença.

De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, isso significa que o paciente continua recebendo atenção profissional. Dor, falta de ar, náuseas, ansiedade, insônia e outros sintomas podem ser avaliados e tratados de acordo com cada situação. O cuidado também considera o impacto da doença sobre a rotina e as relações familiares. O acompanhamento pode incluir diferentes profissionais, conforme as necessidades apresentadas pelo paciente e por seus familiares.

Por isso, receber cuidados paliativos não significa necessariamente interromper todo tratamento. A abordagem pode ser integrada ao acompanhamento da doença, inclusive enquanto determinadas terapias continuam sendo utilizadas. A diferença está na ampliação do foco para o conforto e as necessidades da pessoa. Dessa forma, decisões sobre tratamentos e intervenções podem ser discutidas considerando seus benefícios, possíveis efeitos e objetivos de cuidado.

Por que o tratamento pode mudar sem que o cuidado termine?

Doenças graves podem evoluir de maneiras diferentes. Em determinados momentos, um tratamento pode oferecer benefícios importantes. Em outros, seus efeitos podem deixar de compensar os impactos provocados no organismo ou na qualidade de vida. Avaliar essa relação exige considerar a situação individual do paciente. Com isso, o plano de cuidado pode precisar ser reavaliado conforme surgem novas condições, sintomas ou mudanças nas prioridades da pessoa.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Essa mudança pode gerar confusão entre familiares, principalmente quando existe a expectativa de que continuar tentando todas as alternativas seja sempre sinônimo de cuidar melhor. Entretanto, como pontua o Doutor Yuri Silva Portela, decisões terapêuticas precisam levar em conta objetivos, benefícios, riscos e preferências da pessoa. Conversas claras entre paciente, familiares e equipe de saúde ajudam a compreender o propósito de cada intervenção e a tomar decisões mais alinhadas à situação vivida.

Como o controle de sintomas entra nessa abordagem?

Sintomas persistentes podem comprometer profundamente a experiência de quem enfrenta uma doença grave. Dor, falta de ar, fraqueza, perda de apetite, náuseas e alterações emocionais podem dificultar atividades simples e aumentar o sofrimento. O acompanhamento paliativo busca identificar essas manifestações e estabelecer estratégias para controlá-las. A avaliação contínua permite perceber quando um sintoma mudou de intensidade ou passou a interferir de outra maneira na rotina do paciente.

Como conclui o Doutor Yuri Silva Portela, esse trabalho não se limita à prescrição de medicamentos. Mudanças no ambiente, apoio psicológico, orientação aos familiares e outras medidas podem fazer parte do plano de cuidado. A abordagem precisa acompanhar aquilo que está acontecendo com o paciente em cada momento. As necessidades podem se modificar ao longo da doença, exigindo que as estratégias utilizadas também sejam revistas pela equipe responsável.

O controle adequado dos sintomas também pode facilitar a comunicação. Quando o sofrimento físico ou emocional diminui, o paciente pode ter melhores condições de expressar preferências, participar das decisões e manter atividades que ainda fazem sentido para sua vida. Essa participação ajuda a direcionar o cuidado para objetivos que estejam de acordo com os valores e as prioridades de cada pessoa.

Compartilhe este artigo