Escolher uma viagem pode deixar de começar pela pergunta “para onde ir?”. Em 2027, a decisão tende a ser influenciada por fatores como estado emocional, orçamento disponível, perfil dos acompanhantes e flexibilidade para lidar com tarefas profissionais. Essa é a principal indicação das previsões divulgadas pela Booking.com em 14 de outubro de 2026.
O levantamento mostra como plataformas digitais podem ampliar a personalização da jornada de compra. Em vez de apresentar apenas destinos populares ou opções filtradas por preço e data, os serviços de turismo podem passar a organizar recomendações a partir do tipo de experiência que o viajante procura. A mudança aproxima o planejamento de viagens de outros sistemas de recomendação já usados em aplicativos de entretenimento, comércio eletrônico e mobilidade.
Humor passa a orientar a busca por destinos
Segundo a Booking.com, 82% dos viajantes afirmam que escolheriam um destino com base em como desejam se sentir. O dado sugere que a busca pode ser estruturada por objetivos subjetivos, como descansar, se divertir, buscar inspiração ou viver uma experiência diferente, ainda que a pesquisa não transforme esses estados emocionais em categorias universais.
Essa possibilidade aparece também na disposição para usar novas ferramentas. De acordo com o estudo, 76% dos entrevistados demonstram interesse em receber recomendações de lugares baseadas no humor ou no estado emocional. Na prática, uma plataforma poderia combinar essa preferência com informações sobre hospedagem, atividades e deslocamentos, desde que o usuário forneça dados suficientes para formar o perfil da viagem.
A pesquisa reúne respostas de mais de 28 mil viajantes em 32 países e territórios. Por isso, os resultados devem ser entendidos como uma tendência global identificada pela empresa, e não como uma descrição específica do comportamento dos brasileiros. A própria amplitude geográfica ajuda a indicar o interesse pelo tema, mas não permite concluir que todas as preferências serão reproduzidas da mesma maneira em cada mercado.
Inteligência artificial pode influenciar a duração das férias
Outro ponto destacado pela previsão envolve o uso de inteligência artificial para administrar tarefas profissionais durante o período de descanso. Cerca de 65% dos participantes considerariam utilizar um agente de IA para cuidar dessas atividades enquanto estivessem viajando.
Esse comportamento pode afetar a forma como algumas pessoas organizam o tempo fora do trabalho. Se tarefas profissionais puderem ser delegadas a um agente, parte dos viajantes poderá enxergar maior flexibilidade para prolongar a estadia ou escolher períodos diferentes para sair de férias. A pesquisa, porém, apresenta essa possibilidade como intenção dos entrevistados, e não como uma mudança já consolidada no mercado.
Para empresas de reservas, companhias aéreas, hotéis e serviços de experiências, o cenário reforça a importância de integrar diferentes etapas do planejamento. Uma recomendação útil não dependeria apenas do destino, mas também da faixa de gastos, da agenda, da composição do grupo e do nível de autonomia que o viajante deseja ter durante a viagem.
Orçamento e companhia ganham peso na decisão
As relações entre viajantes também aparecem como um fator de personalização. A Booking.com informa que 53% dos entrevistados já reconsideraram com quem viajariam por causa de diferenças de orçamento. O dado evidencia um problema prático: mesmo quando há interesse pelo mesmo destino, os limites financeiros podem alterar a escolha da hospedagem, dos passeios e do período da viagem.
Entre os pais, 67% demonstram interesse em viajar sem os filhos para gastar mais consigo mesmos. A informação aponta para uma demanda por experiências com diferentes configurações de companhia, incluindo momentos individuais, viagens a dois ou períodos de descanso sem a presença da família. Para os serviços digitais, isso pode significar recomendações mais sensíveis ao perfil de cada grupo, em vez de ofertas genéricas para todos os usuários.
Roteiros fora do padrão ampliam o papel dos algoritmos
As previsões também citam a procura por experiências fora do roteiro tradicional, viagens associadas ao sobrenatural e planos criados para surpreender amigos e familiares. Esses interesses mostram que a tecnologia não precisa ser usada apenas para reduzir tempo de pesquisa ou encontrar o menor preço. Ela também pode ajudar a descobrir alternativas menos óbvias, desde que as recomendações sejam explicadas de forma clara.
Esse avanço traz questões sobre transparência e privacidade. Para sugerir um destino com base em humor, orçamento ou compatibilidade entre companheiros, uma plataforma pode precisar interpretar informações pessoais e comportamentais. O viajante, portanto, deverá observar quais dados estão sendo usados, como as opções são selecionadas e se existe possibilidade de ajustar ou limitar esse tipo de personalização.
A divulgação integra a página de notícias e comunicados da Booking.com Press. Com os resultados, a empresa aponta para uma transformação no planejamento turístico: o destino continua importante, mas passa a ser tratado como uma consequência de preferências mais amplas. Em 2027, a disputa entre plataformas poderá estar menos concentrada apenas na quantidade de ofertas e mais na capacidade de compreender o contexto de cada viajante.

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