Executivos apontam fim da fase de experimentação; agentes autônomos e orquestração de múltiplos modelos são a aposta para o restante de 2026
A inteligência artificial generativa entrou em uma nova etapa de maturidade em 2026, e essa mudança já é sentida dentro das empresas brasileiras. Segundo entrevista concedida à TI Inside durante o Download Web Summit Rio, o CTIO Global da CI&T, Leandro Angelo, afirmou que o mercado já superou parte do período de experimentação sobre IA generativa e que o desafio agora é gerar transformação efetiva nos modelos de negócio. Essa fala resume bem a dúvida que ronda gestores e profissionais de tecnologia: depois de dois anos testando ferramentas de IA, chegou a hora de cobrar resultados concretos, e não apenas apresentações de protótipos. TI INSIDE
Essa pressão por retorno financeiro aparece de forma explícita nas declarações do executivo. De acordo com a reportagem, o mercado enfrenta hoje a pergunta sobre o retorno sobre investimento da IA, já que os aportes continuam crescendo, mas cada iniciativa precisa justificar qual problema resolve e qual valor gera. Para medir esse impacto, a recomendação é concentrar os indicadores em três frentes: redução de custo operacional, criação de novas fontes de receita e melhoria na experiência do cliente. Empresas que conseguem alinhar esses três pilares tendem a captar de forma mais consistente os benefícios da tecnologia, enquanto aquelas que investem sem objetivo claro correm o risco de gastar sem enxergar retorno perceptível. TI INSIDE
Da eficiência para a reinvenção de processos
Um dado chama atenção nesse cenário: a diferença de maturidade entre empresas que já operam de forma híbrida, combinando profissionais humanos e agentes de IA. Segundo o executivo da CI&T, a companhia já dobrou sua eficiência no primeiro ano de adoção da tecnologia e espera terminar 2026 com toda a operação cinco vezes mais eficiente, enquanto times mais maduros já alcançam ganhos de até vinte vezes. Esse tipo de resultado mostra por que a curva de adoção de IA generativa não é linear: empresas que começaram cedo e investiram em capacitação interna colhem ganhos muito maiores do que aquelas que apenas testaram ferramentas isoladas sem redesenhar seus fluxos de trabalho. TI INSIDE
Esse cenário nacional conversa diretamente com o que mostram os relatórios internacionais sobre o setor. De acordo com o AI Diffusion Report, citado pelo portal Prepara, o uso de IA generativa saltou para 17,8% da população mundial em idade ativa no primeiro trimestre de 2026, com 26 economias já ultrapassando os 30% de adoção. No campo econômico, o material aponta ainda que o setor global de IA deve superar a marca de US$ 900 bilhões ainda em 2026, reforçando o tamanho do investimento que está em jogo tanto para grandes corporações quanto para negócios de menor porte que buscam se adaptar a esse novo cenário competitivo. PreparaPrepara
Agentes autônomos e a orquestração de múltiplos modelos
Uma das mudanças mais relevantes de 2026 é a forma como as empresas lidam com a escolha de ferramentas de IA. Ainda de acordo com o material do Prepara, o mercado passou a adotar uma abordagem multimodelo, na qual empresas maduras usam a IA certa para cada tarefa, uma para código, outra para pesquisa, outra para conteúdo multimodal, em vez de depender de um único sistema para tudo. Isso significa que o diferencial competitivo não está mais apenas em escolher o modelo mais avançado do mercado, mas em saber orquestrar diferentes ferramentas de forma integrada, otimizando custo e qualidade de resposta conforme a necessidade de cada tarefa. Prepara
Outro conceito que ganhou força ao longo do ano é o dos chamados agentes autônomos de IA. Segundo a mesma análise, esses sistemas vão além de responder perguntas, planejando tarefas, tomando decisões com base em contexto e executando fluxos de trabalho completos, sempre com supervisão humana. Isso já tem mudado a rotina de áreas como atendimento ao cliente, suporte administrativo e até parte da produção de conteúdo, com equipes humanas assumindo papel de supervisão estratégica em vez de execução manual de tarefas repetitivas. Prepara
O impacto sobre empregos e a necessidade de requalificação
Uma das preocupações mais recorrentes entre trabalhadores é o risco de substituição por sistemas automatizados. Segundo dados do Fórum Econômico Mundial citados pelo Prepara, mais de 40% das habilidades exigidas atualmente devem mudar até o fim da década, mas a tecnologia também cria novas funções ligadas à integração, governança e uso estratégico da IA. A conclusão dos especialistas é que a tendência é de requalificação da força de trabalho, e não de substituição total e imediata dos profissionais, ainda que a transição exija adaptação constante por parte de quem atua no mercado. Prepara
Para quem quer se posicionar melhor diante dessas mudanças, os especialistas recomendam começar pelo básico: entender a diferença entre inteligência artificial, machine learning e IA generativa, e depois avançar para habilidades práticas como engenharia de prompt. Esse tipo de capacitação já é considerado transversal, útil para praticamente qualquer área profissional, do marketing à área jurídica. Eventos como o AI Summit Brasil, que acontece nos dias 22 e 23 de julho em São Paulo, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas, reúnem executivos, formadores de opinião e gestores públicos para discutir negócios reais, tecnologias emergentes, ética e regulação da inteligência artificial, funcionando como termômetro de para onde caminha a adoção da tecnologia no país. Aisummit
O quadro geral de julho de 2026 mostra que a inteligência artificial generativa amadureceu como tecnologia de infraestrutura, deixando de ser um experimento isolado para se tornar parte estrutural da operação de empresas de diferentes portes. Para o profissional e para o consumidor, entender essa transição ajuda a antecipar mudanças no mercado de trabalho e a identificar oportunidades reais de aprendizado e adaptação diante de um cenário que segue evoluindo rapidamente.
Fontes: TI Inside | Prepara | AI Summit Brasil

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