O ciclo de vida dos revestimentos favorece mármores e granitos? Veja por que a durabilidade importa

Lars Edevik
Diohn do Prado

Um piso vinílico, um laminado e uma placa de granito têm processos de produção diferentes, e a comparação ambiental entre eles muda com o tempo considerado. Diohn do Prado, diretor administrativo, observa que, em casos de análise de décadas, a durabilidade das pedras naturais altera de forma significativa o resultado.

No curto prazo, os revestimentos sintéticos tendem a apresentar vantagens em relação ao peso, custo e velocidade de instalação. No entanto, muitos são produzidos a partir de derivados de petróleo, têm vida útil mais curta e chegam ao fim do uso como resíduos difíceis de reciclar, o que inverte a equação quando o período de análise se amplia.

Entenda como o ciclo de vida é medido e por que a frequência de substituição pesa tanto nessa conta.

O que a análise de ciclo de vida mede?

A análise de ciclo de vida acompanha um material desde a extração da matéria-prima até seu descarte, somando energia consumida, emissões, uso de água e resíduos em cada etapa. Em geral, esse indicador é expresso em unidades funcionais, como o metro quadrado de piso mantido em uso durante um período definido de anos.

Esta é a unidade que altera a comparação. Conforme explicado por Diohn do Prado, o impacto da pedra natural concentra-se nos processos de extração, beneficiamento e transporte. No entanto, esse impacto é distribuído por décadas de uso, enquanto materiais de vida curta acumulam novos ciclos de fabricação, instalação e descarte a cada troca.

Diohn do Prado
Diohn do Prado

O período final da vida também deve ser considerado. As pedras naturais apresentam estabilidade química, permitindo seu reaproveitamento em outras peças ou trituração para uso como agregado em diferentes empreendimentos. Os revestimentos constituídos por camadas adesivas de plástico, resinas e outros materiais apresentam separação complexa, o que restringe a reciclagem e direciona uma parcela significativa desse volume para aterros sanitários.

O descartável pode custar mais do que parece?

Os materiais vinílicos, laminados e películas adesivas são indicados para ocasiões de caráter temporário, tais como imóveis alugados e ambientes que serão reformados em curto prazo. O problema surge quando tais peças são utilizadas em áreas de tráfego intenso ou em projetos concebidos para durar, em que há esgotamento da camada de desgaste e se torna imperativa a troca completa.

Ao avaliar o tema, Diohn do Prado frisa que o uso real do ambiente é um fator determinante na comparação, especialmente em cozinhas, varandas e áreas externas. Fatores como calor, radiação solar e umidade aceleram a degradação de muitos materiais sintéticos. Já os granitos e quartzitos demonstram estabilidade nessas condições.

A qualidade do ar interno também é levada em consideração no processo de avaliação. É importante estar ciente de que determinados revestimentos sintéticos e adesivos podem liberar compostos orgânicos voláteis, sobretudo nos primeiros meses após a instalação, ao passo que as rochas naturais são inertes. Certificações ambientais de edifícios geralmente levam em consideração esse critério.

A conta que só fecha com o tempo

Escolher um revestimento pelo ciclo de vida é uma decisão que requer uma visão mais estratégica, considerando não apenas a compra e a instalação, mas o seu desempenho ao longo do tempo. O material com o impacto inicial mais baixo nem sempre é o que gera menos resíduos e emissões durante todo o ciclo de vida do imóvel.

Diohn do Prado pondera que a vantagem das pedras naturais depende de especificação adequada e manutenção correta, condições que permitem ao material atingir a longevidade capaz de justificar o impacto de sua extração.

Um exercício simples ajuda a visualizar a diferença. A substituição de um piso em três ocasiões em trinta anos representa três etapas de fabricação, instalação e descarte, enquanto a instalação adequada de um granito ao longo desse mesmo período implica a extração inicial e alguns ciclos de manutenção. Essa diferença não é evidenciada nos valores praticados no momento da compra.

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